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terça-feira, 10 de maio de 2022

OU VOCÊ ALMOÇA OU VOCÊ MERENDA

 'Ou merendo ou almoço': Cearenses cortam refeições com alta dos alimentos


Foto Fabiane de Paula/ SVM
Há quanto tempo você não enche o carrinho de compras em um supermercado? Se ainda consegue, quantos produtos substituiu e/ou reduziu o consumo? Mesmo após esse malabarismo entre as gôndolas, quanto a mais você precisou desembolsar para a mesma feira nos últimos três anos?

As respostas podem variar de acordo com a situação econômica de cada consumidor, mas é consensual que, das faixas de renda mais baixas à classe média, todas as famílias percebem perdas nos rendimentos mensais com a escalada da inflação no Brasil.

Já são três anos sem ganho real do salário mínimo. Aquelas pessoas que não possuem margem além do próprio ganha-pão são empurradas ao empobrecimento e à insegurança alimentar.

Para se ter uma ideia, segundo o índice global da Organização das Nações Unidas (ONU), calculado pela Organização para Alimentação e Agricultura (FAO, na sigla em inglês), o preço dos alimentos atingiu, em março deste ano, o maior nível dos últimos 61 anos.

O problema onera, principalmente, os estratos sociais de rendas baixas, cuja cesta de produtos e serviços tem maior pressão inflacionária.

Nesta série de três episódios, o Diário do Nordeste apresenta as histórias por trás dos números, as causas e os caminhos para corrigir as distorções provocadas pela alta generalizada.

Visitamos quatro famílias, nos bairros Bom Jardim e Granja Lisboa, em Fortaleza, que estão perdendo o poder de compra e foram obrigadas a abdicar de alguns alimentos e até saltar algumas refeições para sobreviver.

“O QUE ESTÁ ME SEGURANDO EM PÉ É DEUS”

Na casa conjugada da faxineira Cícera Batista, de 49 anos, no bairro Granja Lisboa, as imagens de santos espalhadas pelas paredes verdes, entrecortadas por manchas de cimento, retratam mais do que a fé religiosa pode justificar: a busca de um sentido para suportar a realidade quando a fome bate à porta.

“O que está me segurando em pé é Deus", disse. A reportagem chegou à residência dela por volta das 9h30 de uma quarta-feira de abril. Cícera não havia comido naquele dia. Estava guardando o pão que conseguira comprar para mais tarde.

Com informações do Diário do Nordeste.